domingo, 14 de outubro de 2012

Dia 11 - Salamanca para tótos

3/10/2012

Adoro as quartas-feiras. Especialmente porque são depois das terças-feiras loucas, o que significa que o pior já passou e sobretudo porque é um indicador que a minha semana está a chegar ao fim. Por estranho que pareça, aqui a Quarta-Feira dá-me a mesma sensação que a Sexta-Feira me dá em Portugal. Até porque às Quintas só tenho uma aula de uma hora, o que faz com que na prática para mim o fim-de-semana comece às Quartas à noite.
Estava tão bem disposto que nem me preocupei com o facto de ir ter aula prática de Sistemas Políticos, que aqui são sempre aulas de debate, o que implica que os outros fiquem a conhecer o quão ridiculamente mau sou a falar espanhol. De qualquer das formas, tive alguma sorte, porque entrei na sala ao mesmo tempo de quarto alunos Erasmus, que falavam tão mal (ou pior) que eu e portanto ficámos todos no mesmo grupo. O professor obrigou um coitado de um espanhol a juntar-se a nós, para servir de porta-voz. Não lhe gabo a sorte, mas antes ele que eu. Resolvi convidar algumas pessoas para no dia a seguir virem jantar cá a casa, porque como ainda não conhecemos muita gente e temos demasiado tempo livre, aproveitávamos e dava para nos divertirmos. Escusado será dizer que fiquei o resto do dia a pensar no que raio é que ia fazer para o jantar e onde é que tinha a cabeça quando me lembrei de convidar alguém para o que quer que fosse. Enfim.
Depois da aula de Direito, fui mostrar à Tina onde era o apartamento. Aquilo estava uma confusão, mas ela achou que estava impecável, tendo em conta que vive com quatro rapazes brasileiros. É compreensível.
Como ainda eram 15h e já não tinha mais nada que fazer (melhor dizendo: que me apetecesse fazer, até porque havia uma grande pilha de roupa para passar a ferro...), resolvi ir com a Inês laurear a pevide como verdadeiros turistas. Estivemos a maior parte da tarde em ruas e sítios a que já tínhamos ido, até porque depois de já conhecer a cidade, não há muitas coisas que restem para ver. No entanto, perdemos grande parte do tempo na Plaza Mayor, num género de missão muito ao estilo de Indiana Jones, à qual nomeei "Em Busca da Gelataria Mais Barata Que Tenha o Sabor  Kinder Bueno". Esta missão deu frutos, porque apesar do tempo que demorámos, aquela onde comprámos era quarenta cêntimos mais barata do que a gelataria mais cara. Estamos a ficar uns ases na poupança doméstica. Quando voltámos para casa não nos apeteceu fazer grande coisa. Portanto foi mais uma noite de fazer nenhum, porque nem para um cafézinho saímos.

domingo, 7 de outubro de 2012

Dia 10 - As Terças-Feiras matam-me

2/10/2012

O Ricardo disse-me que o meu blog é muito "dear diary", pareço a Bridget Jones. Mas o Ricardo é brasileiro, e todos sabem que os brasileiros não devem muito à inteligência. Vês? Afinal continuo o mesmo xenófobo de sempre. (Sabes que gosto muito de ti puto, apesar de teres esse ligeiro atraso!)
Às terças feiras sinto que a minha vida é como aquele anúncio antigo da Nestum, só que em vez de ser das "nove às cinco" é das "nove às nove". Felizmente, o professor de Sistema de Garantias não ia dar a aula, portanto pude ficar a dormir até às 10 da manhã. Como habitual, cheguei à aula de Sistemas Políticos quando a aula já estava a começar, e estive duas horas a secar com o sistema Federal Alemão. Depois da aula fui para a Cafeteria, onde já soube fazer o pedido do meu pequeno almoço sem me engasgar e ter de explicar centenas de vezes o que é que realmente queria comer. Enquanto tomávamos o pequeno almoço, estivemos a discutir acerca das políticas económicas nos nossos diferentes países de origem e cheguei à conclusão que devia ter nascido na Suécia. Nunca vou perdoar a minha mãe por isso.
Na aula de Direitos Fundamentais, o Mário esforçou-se por explicar à imensidão de alunos Erasmus que assistem àquela cadeira, qual a forma de realizar o trabalho que temos para entregar. Acho que não teve muito sucesso, até porque ficámos todos na mesma. A única informação útil que todos retiveram, é que caso tenhamos uma festa antes da exposição oral do trabalho, devemos enviar-lhe um e-mail para ele nos trocar a data para outro dia que nos seja mais cómodo. Este homem merece um lugar no céu e quarenta virgens à espera dele. Quisemos escolher um tema para o nosso trabalho, mas entretanto a lista desapareceu nas mãos de um italiano e nunca mais ninguém a viu. O gajo deve ser familiar do Berlusconi ou assim.
Antes de ir para casa almoçar, fui comprar pão a uma padaria perto da estação dos autocarros, onde estava a decorrer uma campanha da Cruz Vermelha para fazer donativos. Como sou português, não podia doar porque não tenho conta bancária espanhola. Acho que é uma medida um bocado idiota, mas quem sou eu. No entanto, fiquei interessado em voluntariar-me e ajudar de outra forma, já que não o posso fazer monetariamente. Um destes dias tenho de ir ao centro para saber mais informações sobre isso. Mas é como eles dizem: "Não faças hoje o que podes deixar para amanhã."
Fui para casa almoçar e a siesta estava mesmo a chamar por mim. Felizmente consegui resistir à tentação e lá fui para a aula de Hacienda Pública, resolver exercícios sobre alguma coisa da qual não entendo nada. Excelente. Depois desta aula fui aturar o velho maluco que se acha muito ambientalista, que dá a cadeira de Técnicas de Ivestigação. Passámos duas horas a falar de como era a maneira mais correcta de colocar questões às pessoas num questionário. Alguém que me estoire os miolos por favor. Quero o Ramos Pinto de volta! Graças aos santinhos todos, levei o meu portátil para a aula, portanto pude estar o tempo todo no Facebook e nesse género de inutilidades.
Quando cheguei a casa, vim lavar a montanha de loiça que se acumulava e que ameaçava desabar provocando uma calamidade naquela cozinha minúscula. Enquanto a Inês estava na aula de dança, resolvi dar asas à minha veia culinária e tentar fazer um jantar fantástico. Almôndegas com molho de tomate, arroz branco e ervilhas. Obviamente, e apesar dos elogios que ela me teceu, eu sei que aquilo não ficou mais do que uma porcaria pegada. Mas ela não é burra, portanto preveniu-se e comeu cereais primeiro.
Por mais estranho que pareça, a coisa que mais gostei de fazer foi o refogado para o molho. Acho que não há nada como picar cebola para nos sentirmos uns verdadeiros chefs de cozinha, ao mesmo tempo que bebemos um copo de vinho branco, ouvimos Adele e choramos baba e ranho. "É bem."
Depois do jantar estávamos exaustos demais para o que quer que fosse. Portanto não houve o habitual cafézinho com a Madalena, a Inês não teve paciência para gritar com o namorado no Skype e eu fui esparramar-me na cama. A loiça, essa, era problema para um outro dia em que precisássemos de pratos lavados.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dia 9 - O primeiro contacto com gente Não-Lusitana da Península Ibérica

Ou para os mais distraídos, o primeiro dia de contacto com espanhóis.
Segunda-Feira é sempre a mesma merda. Ninguém gosta, pelo simples facto de ser Segunda-Feira, e acordar às 8h da manhã, não ajuda ao meu mau humor matinal.
Fui para a aula de Sistema de Garantias, aquela porcaria é igual a Direito Administrativo, quero morrer. Depois daquela aula, fui ter com a Tina e a Anna à  Cafeteria para o primeiro encontro Erasmus da semana. O tempo passou a correr e entretanto lembrei-me de ir à biblioteca procurar um livro de que necessito, para ver se poupava 30 euros, porque aqui qualquer coisa que custe mais de 5 euros é muito para mim. Acabei por descobrir que a localização da entrada da biblioteca é um género de local secreto, porque quer eu, quer outras andorinhas Erasmus que encontrei pelo caminho e às quais me juntei, andámos mais de 20 minutos à volta do edifício para tentar descobrir alguma entrada que não fosse uma janela.
Não percebi nada daquela biblioteca. Não encontrei livro nenhum. Fui para casa almoçar porque isso é que importava.
Quando voltei de almoço e tive Hacienda Pública comecei a ver a minha vida a andar para trás. Não sei como é que vou passar àquela cadeira. O aspecto positivo foi que consegui conhecer três espanhóis (duas raparigas e um rapaz), que combinaram encontrar-se mais tarde comigo para me deixar copiar o livro que necessitava. Para aproveitar o tempo (que cá é uma coisa à qual já aprendi a dar valor, porque tenho de ser eu a fazer tudo), fui com a Inês às compras buscar algumas coisas que precisávamos. Mas passar no corredor dos chocolates e das bolachas é fatal como o destino para mim e para a Inês, que não somos nada gulosos... Comprámos um bolo Oreo para fazer, que ainda ali está guardado no armário. Só consigo pensar na hora em que vamos fazer aquilo, nesse dia já temos jantar.
Convidámos a Madalena para jantar e depois de ter chegado das compras, fui ter com os chicos espanhóis para irmos tirar a cópia do livro. Acabou por ser 27 euros mais barato que comprar o original, portanto o Roberto, a Nerea e a Pilar já merecem um lugar no céu. Ficámos na converseta e eles levaram-me a um café onde bebemos qualquer coisa e tive umas lições de espanhol à borla. Entretanto já passavam das nove e meia e a Madalena e a Inês estavam em casa à minha espera há mais de uma hora para jantar. O melhor disso é que supostamente era eu a cozinhar. Como a Inês é uma santinha, fez o jantar e quando cheguei já estávamos prontos a sentar e comer.
Passámos um serão agradável, fomos beber um cafezito e discutimos sobre quanto os irmãos mais novos são tão adoráveis e queridos. Ou não.

Como de costume só depois das 3h é que me consegui deitar. Mas aqui ando com os horários todos trocados. Deve ser o jet-lag.

P.S - Perdi o meu isqueiro, então ando com uma caixa de fósforos da cozinha para acender os cigarros. Acham todos que sou doente. O que nem é mentira de todo.

P.S 2 - Os espanhóis são um bocado burros e não sabem falar em Inglês. O Benôit achou que eu não devia dizer isto a plenos pulmões no meio da faculdade, correndo o risco de criar um incidente internacional, mas como eu lhe disse isto em inglês, no pása nada, porque eles obviamente não entenderam.

domingo, 30 de setembro de 2012

Dia 8 - Domingo a Isaura fica em casa

Domingo é igual em todo lado. Calle Navasfrias não é excepção.
Preguiça aguda o dia todo, vontade de não fazer nada, o dia inteiro de pijama enquanto se faz qualquer inutilidade durante horas a fio, mas parece que estamos muito ocupados.
Acordei a horas decentes, por volta das 13h30. Fui almoçar e achei que com o sol maravilhoso que estava pela primeira vez desde que tinha chegado, o que era mesmo bom fazer, era ir passear pela cidade. De qualquer das formas, era Domingo e Domingo é sagrado. Não podia tirar o pijama, não sou nenhum herege. Aproveitei então para fazer a lide doméstica. Como a Isaura não sabe o que são fim-de-semanas, fui lavar a loiça da noite anterior, arrumar a cozinha, arrumar o quarto, lavar a roupa e estendê-la. Foi uma proeza conseguir estender mais de 30 peças de roupa só com 10 molas. Viver para aprender. Sou tão lindo, não me canso de dizer isso a mim mesmo.
Ainda considerámos seriamente ir dar uma volta porque estava mesmo muito bom tempo. Mas também estava tudo fechado, nem valia a pena. Era melhor ficar a encher-nos de bolo de chocolate sentados no sofá enquanto tentava instalar o Sims 3. Para o jantar, a Inês cozinhou de forma deliciosa, para não variar.
Como não estávamos mesmo para nos chatear, a Madalena foi uma querida e veio ter connosco para beber café. Foi um dia muito improdutivo. Oh well.

Dia 7 - No pasa nada

No pasa nada, porque aqui fuma-se tudo.
Acordei já eram quase 14h. Estava sem paciência nenhuma para fazer almoço. Afinal era Sábado,  não era por isso que ia ser um dia diferente dos outros e de repente me ia dar vontade de cozinhar. Como já é habitual, o menu foi batatas fritas, salsichas e arroz, que à falta de melhor, sabem sempre a Caviar. Enquanto almoçava, descobri finalmente que o meu portátil tinha webcam. Não sou mesmo um ser dado à inteligência, já consegui perceber. No meu cérebro, definitivamente, no pasa nada.
Às 16h tínhamos combinado encontrar-nos com a Madalena. Como bons portugueses que somos, a essa hora a Inês ainda estava a dormir e eu ainda não tinha tomado banho. Ficou então reagendado o encontro lusitano para as 17h à porta do Colégio dos Maristas.
Com uma pontualidade impressionante, às 17h lá estávamos nós. Fomos passear pela cidade e buscar as chaves à casa nova dela, que era impressionante, tendo em conta o preço reduzido que estava a pagar. Conhecemos a senhoria dela, uma rapariga de pouco mais de 24 anos, a terminar o curso de Direito e com uma filosofia de vida fantástica.
Viemos mostrar a Calle Navasfrias à Madalena, que provou a falta de jeito para a hospitalidade que eu tenho. A única coisa que tinha para lhe oferecer era bolachas de chocolate, mas ela também não era esquisita portanto, no pasa nada. Como era a minha vez de fazer o jantar e tinha visto uma promoção fantástica na Telepizza, resolvemos aproveitar e fomos os três jantar fora. Comemos que nem alarves por apenas 5 euros, mas merecíamos, com a quantidade de quilómetros que fizemos a pé.
Como ainda era cedo, achámos por bem ir ao Erasmus Café, porque para além de ter um ambiente excelente, era um bom bar para lhe dar a conhecer. Chegados ao destino, a Paloma informou-nos que a partir das 23h30 já não se serviam cafés, a menos que lá tivéssemos jantado, e já eram 23h40, por isso era completamente impossível tirar a porcaria de três cafés. Tenho cá para mim, que aquilo era só a Paloma a ser uma cabra de primeira. Enfim, no pasa nada, bebemos sangria que também não é pior, mas tivemos que ser nós a ir buscá-la, porque o serviço de mesa, curiosamente, também tinha acabado de encerrar. É uma pena não poder utilizar o horário de funcionamento da minha carteira, como uma desculpa para não pagar.
Na mesa onde estávamos sentados, encontrá-mos a prova de que outros Alfacinhas povoam Salamanca:


Como onde mija um português, mijam logo dois ou três, achámos que tínhamos que deixar uma marca nossa também naquela mesa. Resolvemos pegar num papel e copiar a ideia:




Mas para mim, aquele que estava mesmooooooooo giro e que valia a pena fotografar era este:



Depois das lamechices, fomos para o "Bairro Alto" de Salamanca. Entrámos numa Chupeteria que era mais uma concentração de música bimba espanhola (mas isso é o habitual em todos os bares desta zona), mas valeu a pena, já que mais não seja pelo balde de sangria a 3 euros, que nestes bares foi um achado. Bom, bom, foi quando entrou um grupo de para aí quinze chineses, totalmente malucos com a música espanhola, a dançar que nem loucos e a gritar mais alto que todas as outras duzentas mil pessoas que ali estavam. Lindo, lindo, lindo. Pareciam gafanhotos amestrados a pular em conjunto ao ritmo da bimbalhice. Adorava vê-los a dançar Gangnam Style e Vida Loka!
Viemos para casa eram umas 3h e tal. Quando cheguei ainda me vim encher de chocolates, porque achei que estava mesmo a precisar.
Depois de um dia de trabalho intensivo como este, fomos para a cama descansar a pouca beleza que temos.



P.S - A minha net já está rápida, saquei o Sims 3 e as expansões todas em menos de 4 horas!

P.S 2 - Agora é que vai ser estudar.

P.S 3 - AHAHAHAHAHA.

P.S 4 - No pasa nada é a minha frase favorita de sempre.

P.S 5 - Depois de uma semana em Salamanca ainda não sei dizer mais do que cinco frases em espanhol.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Dia 6 - Um verdadeiro turista

Acordei com a cabeça pesada (do trabalho, só pode) às duas da tarde. Parecia mesmo que era Sábado, por não ter nada para fazer. A diferença, é que era Sexta-Feira. Vantagens de ser Erasmus.
Com o frio que estava, com o Sol escondido entre as nuvens cinzentas, era mais um dia em que não apetecia fazer nada. Fui almoçar, vesti as calças de fato treino, uma camisola, All Star e o chunga estava pronto a sair, mesmo sem ter tomado banho (após 5 dias já me estou a tornar um porcalhão, nem quero saber daqui a uns meses...).
Fui com a Inês até uma rua onde ela ia ter uma aula de Salsa grátis, deixei-a lá e resolvi armar-me em Dora a Exploradora. Peguei no meu mapa e fui por essas ruas fora. Como sou inteligente, não levei chapéu de chuva e o meu casaco era super fino, pelo que foi excelente quando começou a chover. Como verdadeiro explorador que sou, lá fui eu de mapa na mão, à chuva e a esperar não me perder por ali, porque o meu sentido de orientação é fraco mesmo com um mapa na mão.
Salamanca é uma cidade linda, apesar de ter visitado uma parte muito pequena. Adorei os cadeados na ponte Enrique Esteban com o nome dos pombinhos em juras de amor eterno. Vou pôr lá um cadeado só com o meu nome. Forever Alone.
Depois de me passear por igrejas, catedrais, jardins e ruas cheias de turistas, encontrei-me com a Inês no bar Erasmus e fomos chulados em 2,80€ por um chocolate quente. Regressámos para casa já passava das 20h30: está visto que não vamos conseguir jantar dia nenhum antes das 22h.
Como a Inês é uma fofinha, fez o jantar e o João arrumou a cozinha. Estávamos cansados demais para ir sair, para além que está a chover. Portanto ficámos a enfardar bolo de chocolate e a beber vinho branco, o que não é um programa pior. Amanhã combinámos ir ter com outra rapariga portuguesa e fazer-lhe uma visita guiada pela cidade. É pena é conhecermos tão pouco como ela, mas isso agora também não interessa nada.

Hasta luego chicos!


P.S - Ontem à noite quando fomos sair, reparámos que eles lavam todas as ruas com água durante a noite. Espero que aquela água não seja potável, porque senão é um desperdício de recursos ridículos (tendo em conta que cá até chove quase todos os dias). Tenho de ver se alguém me explica isso.

P.S 2 - Amanhã vão todos à Manif, porque é fixe e porque de qualquer das formas a vossa vida é chata e vocês também não fazem nada (eu sei isso porque estão a ler o meu blog).

P.S 3 - Todos os meus posts vão ficando mais pequenos à medida que passam os dias. O meu poder descritivo está a diminuir e o de resumo a aumentar. Consequências de Erasmus.

P.S 4 - Amanhã tenho de lavar a minha roupa e não sei pôr a máquina a trabalhar. Não é uma informação muito relevante, mas achei que iam gostar de saber.

Dia 5 - Ao 5º dia, Deus descansou

A Xana disse-me para eu ser menos descritivo no meu blog para ele não se tornar tão chato. Mas quem é que se interessa pelo que a Xana diz? (Se leres isto, sabes que eu gosto muito de ti!)
Quarta-Feira foi dia sagrado. Só tinha aula às 17h, portanto estive na ronha até às 15h. Só a essa hora é que me arrastei do quarto até à cozinha para comer qualquer coisa. Ainda assim, só me acabei de despachar às 18h, hora da aula prática do segundo turno.
Quando cheguei à faculdade, andei feito tótó à procura da sala, porque ainda não me entendo com estas aulas por turnos daqui. Entrei na sala de Direito da União Europeia por engano e ficou tudo a rir-se da minha cara, como seria de esperar. Para ser mais fácil, resolvi perguntar à rapariga que estava sentada no corredor se sabia alguma coisa da aula que eu queria encontrar. Como o meu espanhol ainda é uma coisa nojenta, aceitei a sugestão dela e falámos em inglês, até eu perceber que ela era brasileira. Ficámos logo numa animação quando percebemos que falávamos os dois a mesma língua. Aqui, ouvir a língua de Camões, equivale ao mesmo sentimento de felicidade de encontrar petróleo. Ficámos mais de uma hora na conversa, e descobri que esta semana não haviam aulas práticas, mas como não percebo nada do que eles dizem, dificilmente ia saber que não tinha aula. Que maçada, saí de casa para nada. Bem, ao menos sempre travei conhecimento com a rapariga.
Quando voltei para casa, já por volta das 19h30, fui com a Inês às compras. Estou numa de aprender a comparar preços, escolher o mais barato, visitar muitos supermercados para escolher o melhor. Cá, sinto-me indignado por ter de pagar cinco cêntimos por um saco de plástico, quando não levo sacos comigo. Cinco cêntimos ainda é dinheiro! Como sou eu a pagar, é dinheiro demais. (Mãe, quando estiveres a ler isto, aproveita e envia-me o teu cartão multibanco, para eu já não ter estas chatices.) De qualquer das formas, a conclusão das compras foi que as pizzas congeladas no Mercadona são um euro mais barato do que no Dia. Escandaloso.
Resolvi aprimorar a minha veia de cozinheiro e fiz almôndegas com arroz para o jantar. A Inês disse que estava bom, mas eu sei que ela estava a mentir. O arroz parecia papa e as almôndegas estavam mal cozinhadas por dentro. Não nasci definitivamente para estas lides domésticas.
Como não tínhamos feito nenhum o dia todo, estávamos frescos para ir sair. Saímos de casa já era quase uma e meia da manhã. Fomos ao bar Erasmus, que já estava obviamente a fechar. Depois disso, encontrámos o Bairro Alto de Salamanca. Só espanhóis loucos naquelas ruas, com os bares infestados de músicas latinas pirosas. Eu queria ir à festa de recepção de alunos Erasmus num bar qualquer que não sabia o nome nem onde ficava, então arrastei a Inês pelas ruas de Salamanca numa procura que se revelou fracassada. Acho que para a próxima convém pelo menos saber o nome do bar. Mesmo assim, passámos um bom bocado, apesar de termos andado quilómetros desnecessários. Exercício físico nocturno, somos tão saudáveis.
Cheguei a casa morto e já demasiado bem disposto. Tive a triste ideia de ir para o Facebook em vez de me ir deitar. Há coisas piores.

Vês Xana? Está resumidinho para tu leres aí no forno onde o sumo de laranja natural custa 49 cêntimos <3

P.S - Pela primeira vez falei no Skype com a minha família, que resolveu armar acampamento no meu quarto. Temo pela saúde do meu estimado quarto.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Dia 4 - Afinal Erasmus é fixe

Acordei muito mais bem disposto e entusiasmado que ontem, apesar da dor de cabeça e do frio que se fazia sentir. Fui arranjar-me e cheguei à faculdade com o habitual atraso de 10 minutos. É tradição.
Estávamos a fazer um debate na aula de Sistemas Políticos quando entrei, e disseram para me juntar ao grupo que só tinha quatro pessoas, porque os outros já tinham todos cinco. Por sorte, esse grupo também tinha estudantes Erasmus. Um francês, uma brasileira e dois espanhóis. Não faço ideia do nome do francês, até porque ele não era muito simpático. Pff, avecs. Um dos espanhóis era muito simpático, com o outro mal falei. A rapariga chamava-se Liana e ficou tão contente como eu por encontrar alguém que falasse português. Como estou um nojo a espanhol, precisava de ter aulas e não posso assistir às da faculdade, ela indicou-me um centro de línguas onde estava a ter aulas e era mais barato também. Quando acabou a aula, fomos lá, para saber se ainda podia fazer as provas de ingresso, consultar horários e preços. Pelo caminho conhecemos uma outra rapariga brasileira, que estava atenta à nossa conversa, a Beatriz, que também estava a ir para o centro de línguas para ter mais informações acerca das aulas. Fiquei logo super animado, por finalmente estar a conhecer pessoas, que ainda por cima moravam tão perto de mim. Ao que parece, o horário ali também é incompatível com o meu horário na faculdade. Vou aprender espanhol a ler as folhas de publicidade do Lidl, está decidido.
Antes da aula de Direitos Fundamentais, à tarde, resolvi ir ao Centro de Relações Internacionais para poder finalmente levantar o meu cartão de estudante. Quando estava quase a chegar lá, tive de voltar a casa para vir buscar a porcaria da declaração da matrícula. Que raiva. Já não posso com os meus pés. Preciso de uma massagem.
Consegui, ainda assim, levantar o meu cartão antes das 14h e chegar à aula a tempo. Sentei-me ao lado de uma rapariga de Erasmus, que fiquei a conhecer: Tina. Bastante simpática e também esteve à toa durante os primeiros dias, como eu. Já percebi que é normal, e que afinal não fui o único a desesperar por não conhecer ninguém. Depois da aula, fui falar com o Mario (porque andámos na escola juntos - o professor de Direito, caso não se recordem) e perguntar-lhe concretamente em que consistia o trabalho que temos para fazer. Juntou-se mais um bando de aves raras a nós, que eram obviamente outros alunos Erasmus. O Mario foi simpático e marcou-nos uma tutoria uma vez por mês para conseguirmos acompanhar o ritmo da turma. Entretanto saímos e ficámos todos lá fora à converseta. Foi a loucura, tantos Erasmus juntos pela primeira vez, todos com aquela tesão do mijo por estarmos finalmente a conhecer pessoas.
À Tina, juntou-se a Michelle, a Anna, a Minh, a Jannelieke (que não consigo de todo pronunciar) e o Benoit, que me deram o seu endereço de email, sendo só por isso que ainda sei os nomes deles. Tudo gente muito simpática. Fiquei com a Anna, porque todos os outros tiveram que ir para as aulas. Ficámos durante algum tempo a falar, até que outra rapariga, a Sara, se juntou a nós quando se apercebeu que éramos Erasmus. É automático, os Erasmus são uma espécie de sociedade com a qual os outros alunos não falam. O que até acaba por ser bom, porque nos "força" a falar uns com os outros, acabando por conhecer muitas pessoas de outros países e várias realidades diferentes. Tive uma tarde de ensinamentos sobre Itália, e deliciei-me a ouvir a Sara e a Anna a falarem italiano uma com a outra (aquilo é mesmo giro). Já ficou prometida uma aula de explicações de Português.
Entretanto vim para casa, comi qualquer coisa e estive sem fazer nenhum o resto da tarde. Até estava algum sol, mas estava preguiçoso e cansado demais para fazer o que quer que fosse. Fui deitar-me às 19h e acabei por acordar já eram quase 23h. Liguei à mamã, porque já tinha 5 milhões de chamadas não atendidas, não fosse estar eu para aí estendido numa valeta qualquer.
Comi cereais enquanto falava com a Inês sobre a bomba do ISCSP. Aquele rapaz que gritou ao Passos, é o maior boss de sempre e merecia uma ovação. Fomos beber café a uma rua aqui mesmo ao lado e finalmente  conseguimos beber café em condições, porque era Delta. O ambiente daquele café era bom, tenho que voltar lá mais vezes, até porque está aberto até tarde e tem umas mesas super fixes:





Como amanhã só entro às 17h, aproveitei e fiquei até agora a actualizar o blog e a fazer outras inutilidades no Gmail. Mas como já estou cheio de sono, está um frio enorme e já estou farto de escrever, isto deve ter ficado uma merda pegada. Portanto, vou enfiar-me na cama e sair de lá daqui a 10 anos.


P.S - Tanta merda para fazer a matrícula e ir buscar o cartão de estudante, e ainda nem sequer activei a conta no Studium. Sou tão inteligente.

P.S 2 - Os espanhóis não são porcos como nós, as ruas de Salamanca estão todas limpinhas, não há lixo no chão e em todas as passadeiras há um caixote.

P.S 3 - Apesar de serem limpinhos, a ASAE fechava todos os cafés e todo o comércio local daqui, porque são muito mais "descontraídos" com esse tipo de mariquices.

P.S 4 - Sou fixe porque já sei meter fotos nos meus posts! :D

Dia 3 - Qual o próximo autocarro para Portugal?

Levantei-me da cama ainda morrer de sono por ter dormido umas escassas quatro horas. Pus o braço do lado de fora da janela: "Que briol do caralho!", o céu estava completamente cinzento e um vendaval do piorio (o que vale é que como estou com o cabelo à Doraemon, só daqui a umas semanas quando ele estiver maior, é que tenho de me preocupar com o facto do vento ser o meu pior inimigo).
Fui tomar banho, arranjei-me e já estava 10 minutos atrasado para a aula de Sistema de Garantias. Cheguei lá e não havia aula. Bela porcaria. Uma hora sozinho à seca. Parecia super entusiasmante. Aproveitei para ficar a conhecer melhor os cantos à faculdade, mas ao fim de alguns minutos a andar pelos corredores, já me parecia tudo igual e já estava a ficar enjoado de ver toda a gente tão feliz e contente em grupinhos enquanto eu andava por ali sozinho como um alien. Entretanto, já era hora de entrar para Sistemas Políticos. Lá fui eu, sentei-me ao fundo, sem sequer notar a entrada do professor. Um gajo de ténis, calças de ganga, t-shirt e camisa por cima. Espantou-me a falta de formalidade, no ISCSP até o funcionário do bar tem de estar de fatiota, quanto mais os professores. Ainda achei mais piada quando o gajo pega no microfone e começa a dar a aula assim, numa sala mais pequena que as salas normais do ISCSP. À parte do trabalho com vinte páginas que temos para entregar, o professor parece ser muito acessível. Honestamente esta pareceu-me ser a única cadeira interessante que tenho até agora. A minha vida é uma miséria.
Quando a aula acabou, achei boa ideia ir matricular-me, porque queria ter acesso ao Studium, que é a plataforma online equivalente ao Moodle, só que esta tem a diferença de ser realmente utilizada pelos professores, ao contrário do que acontece em Portugal. A minha ideia, acabou por ser uma ideia de merda, porque tive lá quase uma hora à espera, e apesar de ter feito a matrícula, só podia aceder à plataforma quando tivesse o cartão de estudante, que tem de ser levantado no Gabinete de Relações Internacionais, sendo que este último fica no centro da cidade e fecha às 14h. É uma coisa que me irrita extremamente, tudo o que aqui é útil, fecha às 14h para a siesta, mas já não volta a abrir. Belas adormecidas é o que eles são.
Cheguei atrasado à aula de Direitos Fundamentais, por causa da brincadeira da matrícula, e quando cheguei, já o Mario (o professor) estava a falar de um trabalho de grupo qualquer para fazermos. Explodi de entusiasmo nessa altura. YEAAAH, um trabalho de grupo para fazer e eu não conheço ninguém, que bom, que bom, que bom! Só me apeteceu espetar-lhe a cabeça contra o quadro. Ele tinha All Star calçados, o que achei super engraçado. Estava a imaginar o Rio Cardoso ou o Silvestre de All Star, ia ser um mimo.
Finalmente vim para casa almoçar. Não sei o que é que se passa cá em Espanha, mas parece que as minhas manhãs são sempre enormes. Se calhar tem a ver com o facto de não estar habituado a acordar tão cedo como tenho acordado e a ir às aulas. Mas bem, Erasmus é isso mesmo, novas experiências.
Da parte da tarde, tive aula prática de Hacienda Pública (aquela cadeira que é um mix de cadeiras repetidas, nomeadamente Economia Pública, Finanças Públicas e Contabilidade Pública), e o iluminado do professor lembrou-se de me perguntar uma coisa qualquer, sobre um exercício que eu não fiz, de um livro que eu não possuo. Obviamente que a sala inteira se voltou para mim, para verem a atracção do circo a falar. Curiosamente, respondi de forma correcta, sendo que aí o professor ficou muito contente, do género "o coitadinho conseguiu responder, vamos todos fazer-lhe uma festa". VÓMITOS.
Na aula a seguir, Técnicas de Investigação, só me apeteceu cortar os pulsos. Aquilo é igualzinho a Análise de Dados, e o velhote esteve duas horas a falar do meio ambiente e a explicar o que eram variáveis. Ninguém merece. O Ramos Pinto em duas horas já tinha dado matéria suficiente para exame. Enfim. Como se não bastasse estar a chover a potes, já serem nove da noite, ter tido aquele dia merdoso, cadeiras super desinteressantes, o facto de pensar que aquilo ia durar cinco meses, só me fazia pensar em desistir. Estive a um danoninho de começar a chorar. Quando cheguei a casa, a Inês estava com o mesmo espírito que eu.
Depois de fazer as queixinhas todas à mãe, falei com a Inês e resolvemos ir sair. Estava a chover mas azareco. Era a festa de boas vindas a estudantes Erasmus, queríamos tentar conhecer pessoas. Valeu a pena. Conhecemos um português, de Castelo Branco, uma portuguesa a estudar Medicina, duas francesas e outra rapariga que não faço ideia de onde era. Não me lembro do nome de nenhum deles, mas tenho esperança que a Inês os adicione no facebook. A festa tinha um concurso incluído, o "kissing contest" que foi a coisa mais divertida a que assistimos: duas lésbicas a comerem-se no palco à força toda e um americano e uma loira quase nús a fazerem o mesmo. O que as pessoas fazem por 30 euros. Aquilo estava longe de ser um concurso de beijar.
Voltámos para casa, todos molhados, cheios de frio, mas muito mais animados e divertidos. Valeu a pena.


Nota mental: Não levar os All Star para ir sair à noite quando estiver a chover, vou ficar com os pés todos encharcados.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Dia 2 - ¿Puedes ayudarme por favor?


PUTA MADREEEE! 

Já não podia com o barulho do despertador. Tive de render-me à evidência que ia chegar atrasado para o meu primeiro dia de aulas, apesar da faculdade estar apenas à distância de quatro minutos de minha casa. Lá fui eu com meia hora de atraso.
"¿Puedes ayudarme por favor? Dónde es la clase?", aqui valeram-me duas temporadas de Físico-Química. A procura pela sala foi desnecessária, tendo em conta que fui informado que já não poderia entrar por estar atrasado. Boa, eu precisava de um tempinho para o café matinal! "¿Puedes ayudarme por favor? Dónde es la cafetería?" eu sei, bastante original. Obviamente que perguntava tudo a pessoas diferentes, de forma a assegurar que ninguém se apercebia de que esta era a única frase que conseguia pronunciar em Espanhol correcto.
Café tomado, lá fui eu para a porta da sala uns minutos antes, de modo a garantir que podia entrar na sala. Eu. João Pedro Branco Coelho. Até parece mentira eu sei, mas é verídico (Marcelinho gritando parece verídico). Eu estava mesmo à porta da sala antes do professor chegar.
Entretanto uma rapariga sentou-se perto de mim, porque viu que eu tinha ar de Erasmus. Somos fáceis de identificar: ar de perdidos, geralmente sozinhos, a ler papéis de publicidade que encontrámos no chão para fingir que estamos muito ocupados e com uma expressão desesperadamente simpática para ver se alguém mete conversa connosco. Somos um género de leprosos nas turmas, que estão num cantinho, dos quais ninguém se aproxima. Chamava-se qualquer coisa que já não me recordo, mas era de França e estava a tirar mestrado em Criminologia. Tivemos a habitual conversa, que também já percebi ser a que está formatada para os estudantes do programa: "És de onde?", "Como te chamas?", "Que curso estás a tirar?", "Onde estás a viver?" acrescentando algumas informações/curiosidades irrelevantes sobre a estadia ou sobre o motivo da vinda, finalizando com um momento constrangedor em que se acaba o tema de conversa ou se fala de coisas totalmente fora de contexto.
Lá fui eu para dentro, pensando que ia ter Direitos Fundamentais, mas aqui nada é o que parece, e afinal entrei na aula de Sociologia, porque as almas mudaram o horário e obviamente ninguém se lembrou de nos avisar. No entanto, essa aula, serviu para conhecer a Amanda da Suécia, à qual tive pouco tempo para colocar todas as questões do interrogatório, porque ela resolveu que não ia ficar a assistir a uma aula que nem sequer tinha de fazer (tal como eu). Como sou um cavalheiro, deixei-a tomar a iniciativa de se levantar e sair primeiro, assim as atenções ficavam todas focadas nela, longe de mim querer roubar-lhe as luzes da ribalta. Enquanto ela saía distraindo as atenções, eu escapei-me de fininho, do género: "OOOH, olhem só, ela a sair durante o meio da aula, que falta de respeito!", e pisguei-me dali pra fora. Aproveitei este tempo para ir ao Gabinete de Relações Internacionais, que fica bem no centro de Salamanca. Serviu para muito pouco, fui lá para me darem meia dúzia de papéis para ter dentro da mala a encher, o bom da coisa é que passei por quase todo o centro histórico.
Quando voltei para cima, fui às compras como verdadeiro dono de casa em que me tornei, após uma tentativa falhada de me matricular. O Dia é o meu novo supermercado favorito, tendo em conta que consegui trazer muitas coisas, por apenas 10 euros. Viva a mim e às minhas compras fantásticas. HIP HIP, URRA! Fiz o meu almocinho, e lá voltei à faculdade para a aula da tarde, que é nada mais, nada menos, que as aulas de Economia e Finanças Públicas que eu já tive no ano passado, compiladas numa única cadeira. Que cadeira chata. Chata que dói. Dói mais que as minhas pernas de subir e descer escadas na faculdade (por falar nisso, tenho de ver se encontro a porcaria dos elevadores, este corpo não mantém a forma física a andar de escadas). Apesar do professor ser bastante simpático e eu ter conseguido apanhar (quase) tudo o que ele disse, não houve lugar a apresentações. Aqui a primeira aula é logo a doer, com duas horinhas de matéria, existindo envio prévio aos alunos daquilo que devem estudar para a primeira aula. Sim senhor, muito bonito. E eles todos aplicadinhos já com os livros todos sublinhados e cheios de perguntas. Adorei o entusiasmo. Gastaram vinte e cinco euros a comprar um livro em vez de o gastarem numa futilidade qualquer. São o orgulho dos papás. Não. Matem-se.
Continuando o espírito de ser empregado doméstico, fui novamente com a Inês às compras, desta vez para trazer detergentes e coisas lindas para a casa, como tachos e caixas de plástico. Decoração contemporânea, se fosse eu a fazer isto, diziam que era louco.
Para o jantar, e já depois do filho-chato-da-senhoria-que-às-vezes-anda-nú-e-é-guarda-prisional (também conhecido por Joaquim) ter dado de frosques até dia 7, o João lá cozinhou uma lasanha e portanto a Inês não passou a tal barrigada de fome que eu tanto temia.
Como estávamos mortos, ficámos por casa e combinámos sair amanhã. No entanto, em vez de ir dormir, fiquei mais uma vez feito paspalho em frente ao computador.
Cansa-me a beleza escrever um diário, daqui a uns dias contrato alguém para desempenhar essas funções.

Durmam bem, beijos abraços e muitos palhaços, porque amanhã tenho aulas das 9h da manhã até às 9h da noite.


P.S - A merda do meu pc bloqueou 50 mil vezes a escrever isto, não tenho qualquer tipo de ideia porquê. No entanto já são 3 da manhã e estou com sono demais para ir corrigir os meus erros. Deal with it.

domingo, 23 de setembro de 2012

Dia 1 - Chegada à cela


02:45h, 23/09/2012, Calle Navasfrias nº8, que afinal era o nº4

Depois de uma viagem de quase 8 horas desde Lisboa, já pouco interessava a hora. Entrei com o meu avô e tio, procurando pela letra certa no terceiro andar, que, segundo a Inês, era o "mais longe do elevador e mais próximo das escadas". Três marmanjos não conseguiram decifrar qual seria a porta certa à qual tocar, portanto resolveram tocar em duas e experimentar a respectiva chave, com pouco sucesso. "Só me faltava mais esta". Quase quinze minutos passados, o cérebro do grupo, vulgo Sérgio Branco, tem a genial ideia de voltar ao hall do prédio, para experimentar a chave do correio nas caixas e verificar qual seria o apartamento correspondente. Ao que parece, era do lado oposto. Anteriormente tínhamos estado no prédio número 4, mas a porcaria do hall era de entrada dupla, dando o acesso aos dois prédios. Fomos então em direcção ao lado do prédio certo.

03:00h, 23/09/2012, Calle Navasfrias nº8, 3ºA, Quarto I


Assim que entrei no apartamento e vi o meu quarto, quis pegar nas malas e voltar para trás. Como se não bastasse o tempo queimado a tentar encontrar a porta certa, o meu quarto era pior que uma cela na Cadeia do Aljube: janela com vista para um pátio interior, com metade da vista cortada por uma parede e com uma largura do quarto quase inferior aos meus braços esticados de uma ponta a outra. Depois do avôzinho e do tio seguirem caminho, entrei em modo deprê, mas estava tão mal que nem para abrir a garrafa de Borba servi. Atirei-me para cima da cama e do monte de malas, e fosse o que Deus quisesse. Amanhã era outro dia.

05:00h, 23/09/2012, Calle Navasfrias, nº8, 3ºA, cela da Cadeia do Aljube

Como não eram horas decentes para ligar a quem quer que fosse, mandei uma mensagem de raiva à Inês, para a assustar com o meu feroz desagrado. Ou não. Meti-me a ouvir Florence para tentar adormecer. Abençoada mulher que me valeu cinco horas de descanso.

10:30h, 23/09/2012, Calle Navasfrias, nº8, 3ºA, ainda na cela da Cadeia do Aljube

Bateram naquela porcaria de porta e acordei sem sono nenhum. Abri, era um maluco qualquer, na casa dos 40 anos, que por acaso é o filho da senhoria, chama-se Joaquim e está a ocupar um dos quartos também. Estava nú a fazer a vida dele, e eu pensei: "Ah pronto, veja lá se estou a incomodar!"
Não percebi nada do que ele disse, mas era para eu assinar o contrato da cela. Só se fosse maluquinho. Vestiu umas calças (finalmente), e lá fomos tratar da negociata. Como ainda estava um quarto disponível, pedi-lhe se dava para o ver e depois decidir se queria mudar para esse ou não. Vida de cela não é para mim. Lá fui e o negócio lá se fez, com ele a ficar a ganhar mais uns trocos e eu a ficar mais feliz da vida. O Erasmus nessa altura já não me parecia um inferno, quando tinha um quarto tão mais acolhedor.

12:00h, 23/09/2012, Calle Navasfrias, nº8, 3ºA, Quarto III (és um quarto como deve ser e eu amo-te muito)

Comecei a mudar as tralhas, depois da Maria de Jesús (a madrecita do Joaquim) e a Cristina Branco (a madrecita do João) terem aceite a mudança de quarto. YUPIIIIIIIIIIIIIIIII. Fui logo para a varanda comemorar com uma cigarrada, quando vejo a Inês lá em baixo com os tios. Desci para os ajudar, entretanto depois da tralha estar toda cá em cima (as avós são todas iguais realmente...) fomos almoçar a um restaurante. Perguntaram se eu queria carne de cerdo e eu pensei que era veado. Vou ter nota 20 a espanhol, de certeza. De qualquer das formas, enchi a barriga, porque já não comia nada de jeito desde o almoço do dia anterior.
Quando voltei, resolvi armar-me em dono de casa, mas como não tinha detergentes para o chão, fui perguntar ao Joaquim (também conhecido como senhor-maluco-que-anda-despido-quando-acorda ou filho-quarentão-da-senhoria-que-até-é-nice) se me sabia indicar algum supermercado. O gajo não é de modas, veste um fatinho e vem comigo à rua, mostrar-me onde eram os supermercados. Obviamente que estavam todos fechados porque é Domingo, mas o meu cérebro não é muito bom para pensar neste tipo de coisas. Quando voltei, resolvi que ia fazer as limpezas na mesma, e então lá foi a Isaura começar a limpar os móveis todos do quarto, com lixívia para desinfectar tudo e com Fairy para limpar o chão. Sou tão lindo que alguém me devia dar um prémio (entretanto como já todos sabem a minha morada, estão à vontade para o fazer). Arrumei a minha roupa toda no armário e apercebi-me que tenho mais roupa do que aquilo do que pensava. Entretanto fez-se tarde e a Inês sugeriu irmos jantar. Abençoada avó da Inês que fez os panados que comemos ao jantar e que souberam a caviar de gambas, regados (finalmente) com o Borba e com direito a bolo de chocolate, para celebrar o primeiro jantar oficial em Salamanca.
Em mais uma pausa para o cigarrito na varanda, ouvi uns doidos quaisquer a berrar perto da faculdade. Aquilo cheirava a praxes, novatadas! A Inês e eu não fomos de modas, e fomos a correr para lá, fazer de mirones, enquanto chovia e o vento fazia o favor de atirar-nos a água toda para os olhos. Fomos atrás da multidão até à Plaza Mayor, e foi engraçado ver a forma como eles fazem as "praxes" deles. Segundo um veterano, estas eram destinadas a alunos dos dormitórios da Universidade, com o intuito dos novatos ficarem a conhecer melhor os seus companheiros. Quando a chuva apertou, resolvemos voltar para trás. Entre lições de espanhol e entre andar perdido pelas ruas de Salamanca, demorámos quase 25 minutos, num percurso que estou certo que se pode fazer em 10.
Agora deveria estar a fazer a minha cama, tendo em conta que foi a única coisa que ainda não fiz, e a tomar um grande banho para me ir finalmente deitar (até porque amanhã tenho aula de Sistema de Garantias da Administração Pública às 9h da manhã), mas em vez disso estou aqui feito parvo em frente ao computador a escrever meia dúzia de disparates e a achar que alguém vai ter paciência para ler isto tudo. Até estou cansado só de pensar que amanhã tenho de ir ao Gabinete de Relações Internacionais tratar da papelada. matricular-me na faculdade, e às compras à tarde. AH, mais uma coisa: Amanhã sou eu a cozinhar (coitada da Inês que vai passar uma barrigada de fome...).
Vou mas é fazer o que tenho a fazer. Amanhã prometo que volto a fazer um relatório do dia. Ou não.

Vitória vitória, acabou-se a história.

P.S 1 -
Queria falar com a minha mãe no Skype, mas descobri que o meu portátil não tem WebCam. Inteligência é uma cena que não me assiste.
P.S 2 - Não tomo banho há mais de 24 horas, ainda assim tenho um armário cheio de produtos de beleza e higiene.
P.S 3 - Sou tão fabuloso.